quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ENERGIA E CASTIGOS



Não temos dúvida de que o amor é maior recurso para educar, porém o amor não dispensa a energia. O amor em excesso pode prejudicar. É preciso saber dosá-lo. Isto é mais difícil para os pais que tem um filho único. De um modo geral, eles acabam envolvendo o filho com amor excessivo, prejudicando a sua educação.
Ás vezes, mesmo empregando o amor e o diálogo na educação dos filhos, os pais não conseguem os resultados esperados. Em muitas situações, eles tem que agir com energia, para não falhar como pais. Neste caso, um recurso que costuma dar bons resultados é fazer com que a criança assuma as conseqüências dos próprios atos. Certa vez, apesar das advertências dos pais, um dos seus filhos teimava em jogar bola num espaço inadequado. Um dia, a bola quebrou o vidro da janela da casa vizinha. Apesar do menino ter apenas nove ou dez anos, o pai disse que ele mesmo teria de resolver o problema, mas poderia contar com o apoio paterno. Acertaram que o pai lhe emprestaria o dinheiro. Como o filho não tinha salário, pagaria lavando o carro da família. Combinaram de irem juntos à vidraçaria. O próprio filho teve que contratar os serviços do vidraceiro. O pai, entretanto, se recusou a acompanhá-lo à casa dos vizinhos. Ele teria que ir sozinho explicar o que havia acontecido e apresentar o vidraceiro. Sem o apoio dos pais, conseguiu convencer a secretária de sua mãe a acompanhá-lo. Com muito constrangimento e com a solidariedade da ajudante de sua mãe, resolveu a situação. O pai deixou que ele lavasse o carro uma ou duas vezes e perdoou o restante da dívida. Nunca mais o filho jogou bola no local impróprio. O aperto que a criança passou valeu muito mais do que qualquer outro tipo de castigo.
Um outro recurso que costuma ser usado pelos pais é o de restringir passeios, diversões dos filhos, como castigo. Eles podem obter bons resultados com estas medidas, mas devem ter o cuidado de explicar as razões aos filhos, para que não fiquem revoltados e não se sintam injustiçados. Um cuidado que precisa ser tomado é o de evitar atitudes extremadas, como a de proibir tudo o que possa trazer alguma satisfação à criança e por um prazo muito longo. Alguns pais proíbem os filhos de brincar, de passear, de praticar esportes, de visitar os parentes, de ouvir música. Tudo ao mesmo tempo. Isto costuma provocar mais revolta do que efeito educativo. Melhores resultados podem ser obtidos, se a restrição for parcial, como, por exemplo, restringir a freqüência ao clube durante um certo período de tempo. Além de ser assimilada pela criança, a restrição mais limitada pode ser sustentada pelos pais até o fim, enquanto que, nos outros casos, muitas vezes tem que voltar atrás ou são forçados a reduzir o tempo. E isto pode abalar a autoridade dos pais.
É fundamental que a proibição tenha objetivos unicamente educativos. Não pode ser uma forma de vingança dos pais. Não é prudente proibir para castigar; apenas para educar.
Uma outra maneira utilizada pelos pais são os castigos corporais, as palmadas, as surras. Este recurso é o que mais tem gerado revolta, sobretudo as surras. Só pode ser usado com muito cuidado, equilíbrio e como recurso extremo. E somente depois que todos os outros falham. Entendo, porém, que os pais nunca devem recorrer a surras. Elas nunca ajudam e criam traumas difíceis de ser extirpados, sobretudo do inconsciente. Há muitas pessoas desequilibradas, inibidas, inseguras que foram vítimas de pais que as surravam. Além disto, as surras podem provocar revoltas e agressividade. Como regra geral, podemos afirmar que a criança ou jovem que são surradas se tornam agressivas.
Até os quatro ou cinco anos de idade, pelas razões já expostas no capítulo que trata das fases do desenvolvimento, não se pode bater na criança, a não ser quando ela começa a teimar e colocar a mãozinha onde não deve. Neste caso, podem ser aplicadas palmadas nas mãos, como estímulos aversivos, para criar condicionamentos. Estas não devem ser violentas, para não traumatizar. Não podem ser aplicadas com finalidade de punir ou educar, já que a criança ainda não tem condições de discernir o certo do errado. Mesmo assim, devemos explicar o porquê dos tapinhas, para que ela estabeleça uma associação entre o castigo e o que fez de errado.
A partir dos cinco anos, quando o amor, os esclarecimentos através do diálogo com a criança e as restrições não surtirem os resultados desejáveis e necessários, é compreensível que os pais se valham de palmadas. Uma ou duas é o suficiente. O melhor local são as nádegas. NUNCA NA CABEÇA, PORQUE CHOCA MUITO E SÃO RECEBIDAS COMO AGRESSÃO. As palmadas me parecem mais adequadas, porque permitem aos pais dosarem a força, pelo ardor que sentem na própria mão.
É importante ressaltar que as palmadas não podem ser usadas como forma dos pais vingarem da criança ou como meio de extravasar o seu ódio. Só fazem sentido se tiverem como meta a educação dos filhos. Por este motivo, é ideal que os pais se controlem. Além disto, precisam ter a paciência de explicar à criança o porquê das palmadas. Caso estes cuidados não sejam tomados, o resultado poderá ser outro. A criança aprenderá a ser agressiva, violenta, revoltada.
A partir da pré-adolescência, ou seja, dos 11 a 12 anos de idade, as palmadas não costumam dar bons resultados. Na maioria das vezes, geram revolta. Por esta razão, devem ser evitadas.
De tudo o que foi exposto, talvez fique a impressão de que as palmadas nunca devam ser usadas. Este entendimento tem a sua razão de ser, porquanto os castigos corporais têm trazido mais prejuízos do que benefícios. Podem ser usadas apenas em situações em que os demais recursos falharam.

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