quinta-feira, 12 de novembro de 2009

MENTIRAS E HIPOCRISIA



Regra geral, as crianças aprendem a mentir com os adultos, com os próprios pais. Elas imitam os pais na forma de falar, sentar, andar, vestir. Imitam-nos no que fazem de certo e de errado. Quando eles dizem a elas que foram trazidas pela cegonha, que o presente de natal foi dado pelo papai Noel; quando dizem que vão a algum lugar, mas, na verdade, vão a outro; quando prometem castigos e não cumprem; quando prometem presentes, prêmios, viagens sem a intenção de honrar os compromissos estão ensinando as crianças a mentir.
O exemplo costuma ser mais eloqüente do que as palavras. Não adianta ensinar uma coisa e fazer outra.
Da mesma forma que a mentira, as crianças imitam os pais na hipocrisia. Por exemplo, a mãe comenta sobre uma pessoa: “não gosto de receber a visita da fulana, porque a sua conversa é cansativa.” Entretanto, quando ela vem visitar a família, a mãe a recebe desta forma: “fulana, é com muito prazer e alegria que a recebo em minha casa.” Eis uma boa aula prática de hipocrisia, fingimento, falsidade, seja lá o nome que quiserem chamar.
Quando os pais são sinceros, aas crianças aprendem a ser sinceras. Têm um risco bem menor de se tornarem hipócritas.
Costumam os pais dizerem que é impossível ser sempre sinceros no mundo em que vivemos. Mas não é bem assim. Podemos deixar de dizer palavras ou verdades que ofendem ou desagradam, sem termos que fingir.
Muitas crianças mentem, porque adquiriram este mau hábito de mentir e também para se defenderem dos castigos dos pais, sobretudo se estes são exagerados ou violentos. Eles cobram sinceridade dos filhos, mas os castigam quando dizem a verdade. A mentira, neste caso, é um recurso de defesa adotado pelas crianças.
Não há dúvida de que, em muitas situações, negar que sabemos determinada coisa pode evitar problemas para outras pessoas e dissabores para nós. A rigor, isto não deixa de ser uma forma de mentira. Por exemplo, o médico chega à conclusão de que um paciente seu tem uma doença grave, um câncer, e este pergunta para ele se já tem um diagnóstico para o mal que o acomete. O médico não tem como prever a reação do paciente se lhe disser a verdade naquele momento. Ele poderá dizer que ainda precisa estudar um pouco mais o caso. Não estará mentindo, porquanto, por mais que saiba a conduta a ser adotada, será melhor se estudar um pouco mais. Suponhamos que, mais tarde, tenha que dizer a verdade ao paciente e este pergunte se tem cura. O médico sabe que não há mais possibilidade de cura, mas poderá responder: “Com a ajuda de Deus, poderemos curá-lo.” O que é verdade.
Podemos conversar sobre esta forma prudente de agir com nossos filhos, mostrando-lhes que esta não é uma maneira leviana de agir e que é totalmente diferente da mentira comum.
Muitos jovens não mentem propriamente, mas exageram as coisas. Não há dúvida de que podem ter aprendido com os pais. Mas e se eles não têm o hábito de exagerar? Por que os filhos agem assim?
Muitos jovens exageram, porque se sentem inferiores, complexados e usam este recurso como compensação. Neste caso, a melhor conduta a ser adotada é procurar resolver o problema básico, que é o sentimento de inferioridade, e não castigá-los, ou cruzar os braços, como se tratasse de um problema sem solução.


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