DIALOGOS COM CRIANÇAS
Embora os recém-nascidos não compreendam a linguagem dos adultos, já podemos conversar com eles, dirigindo-lhes palavras carinhosas e estimando-os ao bem. Eles não entenderão com o cérebro, mas os gestos feitos serão assimilados. Neste caso, ficarão arquivados no inconsciente e exercerão influência positiva em sua vida.
Quando os pais lhes dirigem palavras agressivas, estas ficam gravadas da mesma forma e exercem influência negativa pela vida afora.
Muitos desequilíbrios que se manifestam na adolescência ou idade adulta resultam de agressões sofridas pelas crianças nesta fase. Isto é mais comum quando os pais rejeitam os filhos e os agridem. Neste período, eles são muitos sensíveis, exigindo cuidado e delicadeza ao serem tratadas.
Precisamos compreender que a criança não é um adulto e não pode ser tratada como tal.
Com as crianças maiores, o diálogo deve ser praticado com maior frequência. Para que seja bem sucedido, os adultos precisam descer ao nível delas e procurar falar a sua língua.
Os pais devem demonstrar que são amigos dos filhos e que querem o melhor para eles. Precisam ter paciência para ouvi-los. Muitas vezes, as crianças estão certas, e nos surpreendem com ponderações corretas e oportunas.
Até os quatro anos de idade, as crianças tem poucas possibilidades de entender o que é certo e de separar a verdade do erro. Apesar disto, não podemos deixar de ensina-las a fazer este discernimento. Sempre assimilam alguma coisa.
A partir dos cinco anos de idade, as crianças começama discernir a verdade do erro. É a fase em que devemos intensificar nossas conversas com elas, usando argumentação lógica e na linguagem mais acessível, tendo em vista a sua idade e capacidade de entendimento. Os pais precisam se preparar para argumentar com fundamentos, explicando o porquê de tudo, para que sejam convincentes. Muitos dizem que conversam com os seus filhos, mas não obtêm bons resultados. Ficam com a impressão de que não adianta gastar tempo com esta conversa. Estes pais precisam reavaliar a forma de dialogar. Quando dizem aos filhos, ao negar ou proibir alguma coisa: "porque não quero", "porque não gosto", porque está errado", "porque Deus castiga", não estão sendo convincentes. As crianças querem saber o porquê. Explicando com paciência e lógica, sem dúvida, obtêm sucesso.
Certa vez os pais de uma criança de oito anos foram chamadas na escola, porque o filho estava baixando as calcinhas das meninas, juntamente com outros colegas. Em casa, teve uma conversa com ele. O filho explicou que estava agindo assim induzido pelos colegas de sala de aula e entendia que era apenas uma brincadeira. O pai lembrou-lhe que ele tinha recebido esclarecimento sobre sexo em casa e não tinha motivo para agir assim, já que não tinha razões para ter malícia sobre sexo. Fê-lo ver que seus colegas faziam aquilo por malícia, provavelmente por não terem recebido adequada educação sexual. Por fim lhe disse que, ao invés de seguir idéias dos colegas, ele deveria ensinar-lhes o que sabia sobre sexo, de modo a acabar com os motivos para malícia. Nunca mais os pais tiveram queixa dele com relaçao a sexo. Isto mostra que ele entendeu e, portanto, o diálogo funcionou.
C.R.L.
